

Blog sujeito a postagens ridículas sobre praças, bares e supermercados do Benfica. Para aquel@s com pouco (ou quase nenhum) dinheiro no bolso em busca de (sobre)viver por essas bandas.


DA ESCRITA INICIAL
Falo aqui da minha primeira escrita. Recordo da primeira vez que tive acesso ao mundo pretensioso das sílabas mal-calejadas dos meus dedos.
Foi ali que quando num milionésimo de segundo pude sentir o toque estranho da escrita sobre o papel à desenhar signos dos quais não tinha controle ou entendimento. Escrevi, vi, não li, porém senti que naquela hora estava diante da potencialidade inventiva da humanidade. Ando ainda a procurar sentido no que rabisco, palavra pra mim é sentimento que surge do roçar do papel com o lápis que vem e que vai ao sabor da imaginação e do momento. Hoje, vejo-me encarcerado pela métrica da escrita acadêmica que teima em tolher meus pensamentos e palavras. A (con)formatura da palavra escrita ainda me condena a um vagar sem rumo aos principios daquilo que aprendo e teimo negar. Deparo-me com a lembrança daquilo que um dia foi descoberta de novas possibilidades de expressao estético-fruitiva em palavras embarçadas nos meus dedos outrora calejados por uma escrita inicial.

Solidao que nada - cazuza canta
Cada aeroporto
É um nome num papel
Um novo rosto
Atrás do mesmo véu
Alguém me espera
E adivinha no céu
Que meu novo nome é
Um estranho que me quer
E eu quero tudo
No próximo hotel
Por mar, por terra
Ou via Embratel
Ela é um satélite
E só quer me amar
Mas não há promessas, não
É só um novo lugar


4ª feira
Livro depressivo
Na areia da praia
Eu banco o deprimido
Talvez você caia
Na minha rede um dia
Cheia de cacos de vidro
De cacos de vidro
E o galã não vê
Que é bombardeado
Com balas de hortelã
Com balas de hortelã
E a santa milagrosa vê
Que Deus não dá esmola
Subitamente assalta
Subitamente assalta
Quero que você
Me ame bastante
Daqui até a Constante Ramos
Vamos, vamos
Vamos lado a lado
Como dois gigantes
Enfrentando os ônibus
E o menino triste
Quer ser um herói
Mesmo um herói triste
Mesmo um herói triste
E a dama sem cara
Das bolsas vazias
Sente um amor aflito
Sente um amor aflito
Eu ando apaixonado
Por cachorros e bichas
Duques e xerifes
Porque eles sabem
Que amar é abanar o rabo
(É abanar o rabo)
Lamber e dar a pata
E as mulatas sonham
Que são raptadas
Por sheiks alemães
Por sheiks alemães
