

Blog sujeito a postagens ridículas sobre praças, bares e supermercados do Benfica. Para aquel@s com pouco (ou quase nenhum) dinheiro no bolso em busca de (sobre)viver por essas bandas.


DA ESCRITA INICIAL
Falo aqui da minha primeira escrita. Recordo da primeira vez que tive acesso ao mundo pretensioso das sílabas mal-calejadas dos meus dedos.
Foi ali que quando num milionésimo de segundo pude sentir o toque estranho da escrita sobre o papel à desenhar signos dos quais não tinha controle ou entendimento. Escrevi, vi, não li, porém senti que naquela hora estava diante da potencialidade inventiva da humanidade. Ando ainda a procurar sentido no que rabisco, palavra pra mim é sentimento que surge do roçar do papel com o lápis que vem e que vai ao sabor da imaginação e do momento. Hoje, vejo-me encarcerado pela métrica da escrita acadêmica que teima em tolher meus pensamentos e palavras. A (con)formatura da palavra escrita ainda me condena a um vagar sem rumo aos principios daquilo que aprendo e teimo negar. Deparo-me com a lembrança daquilo que um dia foi descoberta de novas possibilidades de expressao estético-fruitiva em palavras embarçadas nos meus dedos outrora calejados por uma escrita inicial.